
Ministério da Saúde lança campanhas a favor da doação de órgãos
Lígia Silva e Carmem Peres - Suporte Técnico Científico
Ao fim de setembro foram lançadas algumas campanhas a favor da doação de órgãos para transplantes no Brasil. O Ministério da Saúde nomeou a campanha publicitária como "Não deixe escapar das suas mãos a oportunidade de salvar vidas: doe órgãos, doe vida", que está sendo exibida nos rádios, televisão e cinemas com previsão de término no dia 07 de outubro.
A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), durante o mesmo período, também lançou a IX Campanha Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, cujo tema é "Preserve a vida, seja um doador de órgãos". Em alguns estados brasileiros a campanha se estenderá até meados do mês de novembro. Várias atividades estão previstas em todos os estados, como distribuição de panfletos explicativos, feiras, missas, oficinas e até cursos e palestras em universidades. Confira a programação: www.abto.org.br/prog_camp_doacao.pdf
As campanhas são motivadas pela consecutiva queda anual no número de doações no país (veja notícia "Doação Responsável" divulgada em junho de 2007 neste site).
Entre 2001 e junho de 2007, foram realizados 87.444 transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mas ainda há uma lista de espera de 71.152 pacientes, sendo 42.282 para órgãos sólidos, 26.793 para córnea e 2.063 para medula óssea.
Quase todos os estados brasileiros possuem uma Central de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos (CNCDO) vinculados ao Sistema Nacional de Transplante (SNT) do Ministério da Saúde. A eficiência da captação depende da organização integrada deste sistema. Entretanto, outros fatores também podem contribuir com os índices de captação, como o consentimento familiar que é o foco das campanhas.
A legislação atual prevê que a pessoa interessada em doar seus órgãos precisa comunicar a decisão aos familiares. Em caso de morte encefálica devidamente diagnosticada, cabe à família dar autorização para a retirada de órgãos e tecidos. O percentual de famílias que concordam com a doação é variável entre os estados da federação. Podem ser identificadas várias causas para esta variação, como educação, fatores sociais e culturais, entre outros. No Brasil, a não autorização da doação pelos parentes do potencial doador (negativa familiar) tem sido um dos principais motivos das doações não efetivadas. O esclarecimento e decisão sobre a doação dos órgãos de um parente querido apenas no momento em que há a solicitação pela equipe de captação tornam o processo frágil e delicado (tanto para a família quanto para a equipe), mas poderiam ser melhor acolhidos se o assunto sempre fosse amplamente discutido e refletido pela sociedade.
O objetivo geral das campanhas é convocar a população para debate e conscientização dos processos da doação e transplantes, para desmistificar mitos e medos e substituí-los pelo voluntariado solidário e esclarecido.